BofA aposta em recuperação do M&A brasileiro em 2026
O Bank of America expressa otimismo moderado, mas consistente, com as perspectivas do mercado de fusões, aquisições e capitais no Brasil para o próximo ano. De acordo com declarações do presidente da instituição para a América Latina, o banco antecipa um período de recuperação significativa após um ciclo mais contido em 2024 e 2025, impulsionado por fatores macroeconômicos mais favoráveis e retomada da confiança dos investidores.
Em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea, o executivo do BofA projetou um cenário positivo para o Brasil, destacando que a maior economia da América Latina possui fundamentals sólidos para atrair investimentos em operações de M&A e abertura de capital. O banco vê em 2026 um ponto de inflexão para o mercado local, com empresas brasileiras retomando planos de crescimento através de aquisições, fusões e oferta de ações nas bolsas.
Sinais de recuperação no pipeline de operações
O otimismo do BofA reflete análises mais amplas do mercado financeiro, que apontam para recuperação gradual nas atividades de fusões e aquisições no Brasil. Os dados consolidados de 2024 demonstraram que, embora o volume de transações tenha recuado em relação aos anos anteriores, manteve-se em patamares aceitáveis, com destaque para operações nos setores de tecnologia, infraestrutura e energias renováveis.
A expectativa é que 2026 marque um ponto de retomada mais vigorosa, com maior participação de investidores estrangeiros e fundos de private equity. O banco ressalta que o Brasil oferece oportunidades únicas em setores como agronegócio, energia limpa, infraestrutura digital e serviços financeiros, áreas que continuam atraindo capital global.
Segundo o executivo, o BofA tem observado sinais encorajadores em seu pipeline de operações. A instituição, que ocupa posição relevante entre os bancos de investimento atuantes no mercado brasileiro, trabalha com diversas empresas em diferentes estágios de preparação para transações. O banco espera que esse momentum se traduza em um fluxo mais consistente de fechamentos ao longo de 2026.
Mercado de capitais em trajetória de melhora
Além das operações de M&A, o BofA projeta melhoria no mercado de capitais brasileiro. A bolsa de valores, que enfrentou pressões durante 2024 e 2025 relacionadas a volatilidade global e ajustes nas taxas de juros, pode se beneficiar de um ambiente macroeconômico mais estável em 2026. O banco anticipa maior atividade em ofertas públicas iniciais (IPOs) e ofertas subsequentes (Follow-ons) de ações.
O executivo ressaltou que empresas brasileiras de diferentes setores estão avaliando oportunidades de acesso ao mercado de capitais, seja para financiar expansão, reduzir alavancagem ou viabilizar transações. A recuperação da confiança de investidores, combinada com ajustes nas expectativas de inflação e taxa de juros, tende a criar ambiente mais propício para essas operações.
O mercado de renda fixa também deve beneficiar-se desse contexto. Com perspectivas de estabilização das condições macroeconômicas, operações de emissão de títulos corporativos tendem a ganhar espaço, principalmente entre empresas de menor tamanho que buscam diversificar suas fontes de financiamento.
Fatores que sustentam o otimismo
O otimismo do BofA pauta-se em análise estruturada de diversos fatores. Primeiramente, a instituição avalia que o Brasil possui base econômica resiliente, com setores dinâmicos capazes de gerar demanda por operações corporativas. O agronegócio continua como vetor de investimentos, beneficiando-se de demanda global por commodities e perspectivas de tecnificação.
O setor de energia, particularmente a transição energética, representa outra oportunidade significativa. Fundos de investimento global continuam focados em projetos de energia renovável, infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia. O Brasil, com suas vantagens comparativas nessas áreas, torna-se destino natural para capital de risco.
A transformação digital das empresas brasileiras também emerge como vetor de M&A. Grandes corporações brasileiras, bem como empresas menores em processo de crescimento, buscam adquirir capacidades tecnológicas, seja através da aquisição de startups ou consolidação com players já estabelecidos no segmento digital.
Adicionalmente, o bank aponta a possível melhoria no ambiente regulatório e redução de incertezas políticas como fatores positivos. A previsibilidade institucional tende a favorecer decisões de investimento de longo prazo, criando ambiente mais propício para operações de M&A.
Desafios persistentes no horizonte
Apesar do otimismo, o BofA reconhece que desafios persistem no mercado brasileiro. A volatilidade cambial continua como fator de atenção para investidores estrangeiros, impactando cálculos de retorno em dólar. Qualquer pressão sobre a taxa de câmbio pode desestimular fluxos de entrada de capital externo destinados a M&A.
As condições de financiamento também seguem como ponto crítico. Embora haja expectativa de redução de taxas de juros em 2026, as condições de crédito para operações alavancadas podem permanecer restritivas, impactando principalmente operações de private equity de maior valor.
A instituição também menciona a importância de continuidade das reformas estruturais para potencializar o ambiente de negócios. Avanços em agenda fiscal, trabalhista e administrativa são considerados essenciais para sustentar confiança de investidores de longo prazo.
Positioning do BofA no mercado
Como um dos principais bancos de investimento atuantes no Brasil, o BofA trabalha na liderança de operações complexas envolvendo múltiplos stakeholders. A instituição combina experiência global com compreensão profunda do mercado local, posicionando-se como parceira preferencial para empresas brasileiras que buscam expandir internacionalmente e para investidores globais que desejam acessar oportunidades no Brasil.
O banco investe continuamente em seus times locais, garantindo que possui expertise necessária para navegar nuances do mercado brasileiro. Com presença consolidada em São Paulo e operações em outras cidades estratégicas, o BofA mantém-se próximo aos centros de decisão corporativa no país.
Perspectivas para o ano que vem
Consolidando sua visão para 2026, o BofA projeta ano de transição do caráter defensivo que marcou o período anterior para postura mais ofensiva das corporações brasileiras. As empresas que mantiveram disciplina fiscal durante período de maior incerteza estarão melhor posicionadas para executar estratégias de crescimento através de M&A.
A expectativa é que o fluxo de transações cresça em volume e valor ao longo do ano, com concentração inicial talvez em operações menores e com maior segmentação setorial, evoluindo posteriormente para operações de maior complexidade e valor. Setores defensivos devem continuar gerando atividade, enquanto setores cíclicos podem apresentar maior dinamismo conforme confiança se recupera.
O BofA reafirma seu compromisso com o mercado brasileiro, sinalizando aumento de recursos e atenção para capitalizar oportunidades que se descortinam em 2026. A instituição vê no Brasil não apenas mercado de oportunidades curto-prazistas, mas economia onde espera participar de forma crescente em operações transformacionais de médio e longo prazo.